sábado, 31 de janeiro de 2009
Era de noite, verão, e estava quente. Pensei em pegar um elevador e subir o quanto mais alto eu pudesse, assim no topo. No meio do caminho ja começava a me arrepender, a pensar. Se é coisa que me dá gelo na barriga é altura. E aquela droga de prédio tinha mais de cem andares. Mas chegando lá em cima não voltaria pra trás. Tomei coragem e fui até a beirada. Ventava frio, e do parapeito onde me encostei, olhando pra frente, se via uma névoa fina que cobria todo o céu. Respirei fundo e olhei pra baixo, e foi aí que eu vi, lá, muito longe, a cidade na qual eu vivia. Os prédios pequenos, as casas minúsculas, os carros microscópicos... e as pessoas? As pessoas, não davam pra vê-las. E foi aí que eu percebi o quão pequenos nós somos. In-sig-ni-fi-can-tes! Comecei a rir. Rir de todos os meus problemas. Ri de todos os meus medos. Ri dos meus sonhos e dos sonhos de todo mundo. Ri de mim mesma. E ri de toda a humanidade. E continuei a rir. Ri tanto que joguei a cabeça para trás e, sem pensar, dei de cara com o céu e aí comecei a imagina Deus sentado lá em cima olhando pra baixo. O que é que ele veria de tão alto? Ele não veria nada. Não enxergaria ninguém. Quase chorei, mais resisti e pensei: nenhuma lágrima vai cair desses olhos.
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